hard days.

Os últimos dias foram barra. Isso é tudo que quero escrever por enquanto aqui, publicamente. E os próximos provavelmente também vão continuar sendo, início do novo estágio e volta às aulas. Mas vou, na cara e na coragem.

sitting, waiting, wishing.

Estou atribuindo peso à relação que deveria ser a mais leve da minha vida. E provavelmente por causa dessas ideias de “dever”. Deveria ter começado assim, agora já deveria estar assado. Essa descoberta veio recentemente, quando criei coragem pra encarar uma psicóloga, mas o incômodo é recorrente há certo tempo, e não consigo perceber se mudou algo desde comecei a me desesperar com isso. Meus pensamentos se engessam, me sinto robótica, rodando um vírus em segundo plano que me faz sentir uma tirana, egoísta e manipuladora. Já senti esse tipo de coisa com amigos, mas consigo me perdoar mais fácil e esquecer dessas coisas com relação a eles.

Mas nesse caso a pressão é maior. Uma união entre duas pessoas que deveria ser, pelo menos boa parte do tempo, leve, está se tornando um resmungando tristezas pro outro enquanto esse tenta entender e se tornar porto seguro. Em meio a isso tudo vejo o quanto aprendi, e nem acredito que exista um ser humano tão paciente e disposto a enfrentar isso tudo pra me manter por perto. Que me escuta dizer que ponderei um término e explicar porque desisti, não só em uma ocasião. Sou extremamente grata; mas acho que não consigo me ver bem e me aceitar enquanto estou com esses pensamentos ruins, mesmo estando rodeada de tanta vontade de me amar, de fazer dar certo.

Como me fazer sentir merecedora? É algo que vai chegar ou algo que perdi? Preciso reaprender a estar com essa pessoa e me sentir humana, espontânea, ou seja lá o que for? Tenho que tomar uma decisão e arcar com ela… Ainda que eu não deva fazer comparações e estabelecer ideais inalcançáveis me frustrando sempre que as coisas não saem como imagino, não quer dizer que devo esperar sentada a minha cabeça mudar e eu ficar satisfeita do nada…

shield wall, mas nem tão viking assim.

Em meio ao trabalho, tentando não me deixar levar por pensamentos de derrota ou qualquer coisa do tipo, me vem uma bomba. Quase sempre vem. Um cliente que costuma vir pelo menos 2 vezes na semana, até então simpático sem ser invasivo, de repente me pergunta se tenho “zap”. Não sei suas intenções, quando se sabe, de quem quer que seja? Mas nessa posição, vendedora e mulher, minhas defesas se erguem, o alarme soa. Faz pouco tempo que aconteceu, me sinto rígida e sem ar. A defesa me faz encolher, e não dá espaço pra contra-ataque. Só consegui responder que sim, tenho. Me pediu para anotar e entregar junto aos livros, mas aproveitei a deixa da finalização da venda e mantive meu silêncio. Obrigada, até a próxima.

Uma “parede de escudos” foi erguida, mas ainda sem aquele vigor viking. O vigor de quem tem uma estratégia, uma carta na manga, que avança e quer morrer lutando, morrer dignamente.

Havia resposta melhor a dar? Ah, mas pra quê o senhor quer? Com que interesse? Prefiro não, obrigada. Acho que serviriam, mas em momentos assim eu congelo. Eu poderia ter dado, e a qualquer sinal de treta, me impor, ainda que online… Mas só de pedir já não é motivo para me impor? Não me sinto confortável em dar contato a quem não conheço, ainda mais sem motivo explícito, e isso deveria ser suficiente para eu não me sentir mal em ser mais firme. Deveria ter dito que não tinha a merda do “zap”, e a coisa acabava aí. Não quero me sentir encolhida por isso, não vou… Mas…

objetividade x subjetividade.

E então a oportunidade veio, mas não tive que escolher. Tenho sorte porque já tenho um estágio garantido, mas claro que me decepcionei. Décimo oitavo lugar dentre 29 no total. Sabia que se não conseguisse ficaria com a sensação de que todo o nervosismo me preparando pra entrevista e aguardando o resultado seria em vão, mas não vejo como poderia ser diferente, mesmo nos próximos processos seletivos. Perdi a prova do estágio da Justiça Federal esse domingo que passou, e estava confiante sobre esse outro, mas…

O critério foi “conceitual” (!!) . Isso foi o que uma das responsáveis pela seleção afirmou em um e-mail à um amigo que questionou sobre a disponibilização da lista completa e notas (ele infelizmente também não passou). Me peguei pensando sobre critérios, já que muitas vezes me senti nervosa pela forma que as avaliações são feitas, o que um professor sabiamente colocou, avalia a detenção de uma informação em um curto espaço de tempo e não considera o todo. Hoje me vi confrontada pelo que desejei, uma avaliação que visse mais do que respostas certas, números, etc. E essa avaliação que desejei não me aprovou. Mas será que o problema não seria a falta de transparência? A subjetividade em determinar que um fique em primeiro e outro em último sem ao menos entender porquê, não seria tão injusta quanto uma objetividade ligada a números e informações momentâneas?

adeus.

Houve vários dias em que me culpei, me culpei por encontrar um amigo e ter o azar de ele gostar de mim, a ponto de medir minhas ações para não machucá-lo e coisas do tipo. Acho que ainda me culpo. Eu era feliz por ter alguém que mora perto de mim e que se dava tão bem comigo, além de me fazer ver o melhor em mim e dar conselhos como ninguém. Talvez o que eu dei em retorno não tenha sido o suficiente; talvez o que eu dei só foi o suficiente pra trazer decepções, e um dos motivos pra essa pessoa ter depressão. Me senti e me sinto culpada, por ter uma amizade assim e ao mesmo tempo sentí-la tão frágil. Também por usar essa amizade como comparação para todas as outras, o que me traz problemas ainda hoje. Eu me afastei, não poucas vezes, e tive afastamento como resposta também. Pouco a pouco. E levando junto outras pessoas, não sem minha “cooperação”. Mudei de curso, fiz outras amizades. E acompanhava de longe, pessoas que eu costumava conhecer. Que pareciam palpáveis, mas já estavam mais longe do que eu poderia imaginar. Devo estar sendo pretensiosa, mas quem não é?

Eu já sabia, mas recebi o “aviso” hoje. Acho que sou boa em ler nas entrelinhas. Parecia uma reaproximação, uns meses atrás, mas de repente virou distância de verdade, e aí eu percebi. Devo estar dando um tom grave a isso, mas não é intencional. Você ganha o que deu, e é isso que estou vendo agora. A dor de quem ama deve ser bem pior do que aquele que não aceita esse amor, pelo menos não do jeito que o outro espera – mas também é dor. Fico feliz por você, adeus.

decisões.

A oportunidade está por perto, mas não sei se é hora de agarrá-la. Fazer isso significa abrir mão de um planejamento financeiro meio fajuto, mas quase certo. Mas também significaria abrir os braços pra mais aprendizado e outras possíveis oportunidades; pra um ambiente de trabalho menos tóxico e mais condizente com o que acredito (ou não). Se’s e ou’s… Amanhã à tarde terei o resultado, e pensar que ainda há possíveis consequências que precisam ser enfrentadas com cautela…

só uma fase?

Tava lendo um post do Papo de Homem sobre agressividade nas crianças e com o desenrolar do tema sobre a adaptação delas com a nova forma de se comunicar, se fazer entender, pensei em perguntar pra minha mãe como eu era quando mais nova. Ela não lembra da idade em que aprendi a ler, que comecei as séries, o que é bem triste pois me sinto sem uma “memória” ou referencial. Mas ela comentou que devido a uma mudança de casa acabei fazendo duas séries iniciais em um ano só. Diz ela que a professora, que dava aula em duas séries na mesma sala, falou que eu respondia as perguntas que ela fazia à outra turma, mais avançada que a minha. Me recordo de algo do tipo acontecendo na terceira série, então não sei se minha mãe misturou as lembranças. Engraçado ver como as coisas mudam… Queria ter pensado em registrar mais coisas da minha vida antes.

Talvez eu me sinta agora em uma fase do tipo. Uma fase em que tô aprendendo algo mas não sei muito bem o que fazer com isso, sem paciência, chatinha, esse tipo de coisa. Espero que depois que a fase passar o resultado seja bom…

tempo.

Não escrevo há algum tempo, e nem sei bem o porquê. Falta pouco mais de um mês para o encerramento desse período e tem bastante coisa pra ser desenvolvida para as disciplinas, porém os primeiros passos dependem dos professores. Com isso, estou com uma sensação de pendências gigante, e sem paciência para todo o resto. Nada demais acontecendo, anyway.

Abriu um edital para cadastro reserva de estágio na Justiça Federal aqui da minha cidade. Nunca fui fã de direito e a perspectiva da remuneração maior que o usual acabou me motivando, além de não precisar passar por entrevistas e todo esse processo. Um dos livros que acabei recentemente falava das leis como forma de equilíbrio entre os interesses individuais, de uma forma que não havia parado pra pensar antes, e isso me deu um ânimo para aprender mais sobre como funciona toda essa coisa. Por um momento pensei na possibilidade de atuação como perita judicial ou criminal, até pesquisei sobre isso, mas… pra quem não curte nada o estudo de leis e tudo o que sabe sobre essa área é baseado em CSI, vamos por partes.

Essas ideias me forçam a tentar me conhecer melhor e mais rápido; escolher um objetivo pra tomar decisões que me levem até ele. Perco até a vontade de desenvolver aqui, porque sei que vai me levar pra mais confusão nos pensamentos. Em resumo, o conflito é: o desânimo que estou sentido agora faz parte do processo ou significa que devo abandonar o barco (outra vez)? Esse desânimo deve ser uma consequência de não ter um alvo, então seria uma decisão acertada abrir mão do que consegui até agora sem nem mesmo ter definido esse alvo??

Não é como se eu pudesse acelerar processos e conseguir as respostas; provavelmente só vou conseguí-las quando tomar decisões, arcar com as consequências, me movimentar… Mas há todo um background não muito favorável… Hunf.

pra começar bem o dia.

O dia começou mal, e provavelmente foi culpa minha. É engraçado como um mal entendido pode te afetar  ainda mais eu, que raramente reclamo de algo sem ser com meus amigos e além disso num grupo de yoga.
Em resumo, perguntei se deveria ter alguém no local de inscrição, porque estava fechado (mas dentro do horário informado). Depois comentei que um amigo foi e não tinha conseguido se inscrever, e quando voltou mais tarde já era a última vaga da lista de espera. Passou final de semana, e dando aquela olhada básica no Facebook após acordar hoje, me deparo com um textão da professora, falando que era um trabalho voluntário, que havia outros locais que ofereciam yoga de graça, etc etc. Certo, eu tinha soltado um “[…]complicado :/” no final da minha “reclamação”, e provavelmente isso que fudeu tudo. Minha breve experiência com a coordenação influenciou isso, uma vez que quando me inscrevi semestre passado também tive que ir em mais de um horário pra encontrar alguém lá, e mesmo quando fiz minha inscrição dessa vez, tive que esperar alguém chegar. Minha “indignação” é com a coordenação, não com quem guia as práticas.
Escrever isso tá sendo mais como um descarrego, porque acho que não deveria mais estar remoendo essa situação. Deve ser meu ego ferido, vendo que mal começaram as aulas e já causei uma impressão ruim; procurando motivos pra me embasar, me defender, e internamente criando raivinha da professora por ter agido dessa forma. Estou escrevendo isso antes de ir pra lá, e espero que as coisas não fiquem num clima chato, seja coisa da minha cabeça ou da parte dela. Parece ter um fantasminha rondando minha cabeça lembrando do que houve, e espero que ele suma. Não quero que esses sentimentos afetem meu aproveitamento da prática porque, definitivamente, percebe-se por esse e os últimos posts, estou precisando bastante.
As lições do dia foram: você não está livre de tretas nem dentro do yoga e watch your mouth, girl.

o controle.

Quando pensei em escrever sobre isso tinha mais ideias, mas tava no ônibus e simplesmente esqueci. Todo o insight surgiu quando estava na parada esperando o bendito. Meu olhar desfocado, os carros passando. O vento batendo e balançando meu cabelo. Logo ali, bem na minha frente, uma loja de cerâmicas, paisagismo, etc. Um moço coloca seu gatinho dentro de um vaso, apóia suas pernas e folheia um jornal. Meus olhos marejam, a visão se turva diante daquela cena. Não vou mentir, senti inveja. Nem sei quão confusa pode ter sido ou ainda é a vida daquele rapaz. Mas naquele momento, acredito que ele estava em paz, e quis ter aquela paz também.

Quando nos apaixonamos
Estamos apenas nos apaixonando
Por nós mesmos
Estamos em espiral

Meu cabelo balança, mas na maioria das vezes não se solta de sua raiz; as rodas dos carros giram em torno do eixo, e eles se rendem à gravidade. Achando que posso mudar meu comportamento para o que bem entender, me engesso com o não conseguir. Percebi que criar consciência das coisas tem me feito querer mudá-las num estalar de dedos. Essa consciência deveria me inspirar a descobrir quem sou e adequar a minha visão a isso, e não o contrário. Me tornar parte do mundo entendendo o outro e a mim mesma. E é todo um processo até lá.