o problema de uma viagem para o futuro.

Provocada por um dorama em que o protagonista pode viajar para o futuro (Tomorrow with you, a quem interessar), percebi o quão pesado pode ser esse fardo. Achar que pode mudar um acontecimento, de certa forma implica em acreditar que você é onipotente e controla todas as variáveis que culminaram naquilo. Talvez o peso da ansiedade se deva a isso, porém numa escala menor, uma vez que você não presenciou os acontecimentos, apenas (?) ruminou todas as variáveis possíveis segundo o que se tem no agora. Bem, melhor não pensar tanto sobre o quê é mais pesado que o quê. Temos uma perspectiva humana para tudo que nos rodeia, segundo conhecimentos baseados em outras perspectivas humanas de épocas passadas; e num escopo menor ainda, temos uma perspectiva pessoal, o que limita mais ainda o que se “sabe”, mas também é o que nos torna únicos.

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pensamento sobre palestra de empreendedorismo.

Na Semana Acadêmica do meu curso, foi ministrada uma palestra sobre Empreendedorismo na área (Biblioteconomia). Não achei essas coisas todas, só me atentou para pesquisar as iniciativas dos profissionais pra ter alguma noção do que está sendo feito, e tentar ver também como funciona essa tal de empresa júnior que muitos cursos possuem. O que me marcou, na verdade, foi o tom motivacional que boa parte da palestra teve, inclusive com frases do tipo “não trabalhe para realizar o sonho de alguém” ou algo assim, e em um momento posterior foi usado como resultado positivo a geração de empregos que a prática empreendedora provoca. Talvez minha reação e interpretação dessas falas tenham sido erradas, mas penso que não há problema em trabalhar para realizar o sonho de alguém, desde que esse sonho seja também o seu. Acredito que o enfoque deveria ser o aprimoramento no que você se sente mais motivado apesar dos percalços, e buscar um trabalho que corresponda a isso, independente de ser chefe ou empregado, público ou privado.

interpretações.

Hoje vi colado na janela do ônibus um anúncio de um palhaço, animador de festas, e comecei a imaginar alguém no futuro usando isso pra escrever textão, refletindo sobre a suposta necessidade de nós, do passado, em ter uma pessoa exclusivamente para “animar” a festa, como se fôssemos tão incapazes de fazer isso por nós mesmos, como se tivéssemos achado formas de tornar profissão toda e qualquer habilidade, como se as comemorações fossem meras reuniões de pessoas tentando manter aparências e que não tinham tanta afinidade entre si pra tornar a festa animada por si sós. E agora essa “reflexão” não cabe mais a um ser futuro, mas do presente, de forma meio aleatória numa viagem de ônibus a caminho de mais um dia de trabalho.

a importante imersão na cultura.

camera, glasses, magnifying glass

Algumas vezes me vi curiosa sobre o motivo de se ter explicações sobre cultura e outros detalhes sobre os países em cursos de ensino de idiomas. Pode até parecer óbvio pra algumas pessoas, inclusive eu tinha a ideia básica de entender melhor como as peculiaridades de certo país se refletem em sua língua, mas tive um insight que me fez sentir essa necessidade de uma forma mais profunda, digamos assim.

No Tai Chi eu cheguei a ficar bastante cansada de tanta explicação sobre a cultura e detalhes das origens da arte. Eu sabia que era necessário mas, no mínimo, metade da aula era teórica, e eu ficava bem aérea em certos momentos. Quando iniciei o yoga, tive algo como um baque, uma sensação de adentrar aquela cultura (que até agora não pesquisei por mim mesma, shame on me), me apropriar de seu ritual, sem dar o devido valor às raízes e do que tudo aquilo significa pro seu povo. Logo na primeira prática, a professora nos indicou a postura, deu as instruções e pediu para fazermos o “Om” três vezes. Eu fiquei bem wtf e me sentindo uma esquisita fazendo algo sem saber o porquê. Em todas as práticas sempre tem esse momento que eu me sinto invadindo a cultura, seja com o “Om” e outros mantras que ela fala, ou quando ela pronuncia o nome das posições que fazemos. Acredito que ela tenha assumido que todos já haviam pesquisado sobre, mesmo quem é iniciante. Vou fazer o que posso pra não “desonrar” o yoga e pesquisar mais a fundo pra me esclarecer.

Outro exemplo de quando senti isso, fora do yoga, foi ao assistir o treino de karatê do meu namorado, Samuel (vou começar a usar o nome dele porque essa coisa de ficar dizendo “meu namorado” me dá agonia). No kata eles falam algumas frases e números em japonês, e observar isso me deu mais ou menos a mesma sensação que tive no yoga, mas creio que eles tiveram uma explicação melhor sobre porquê e como falar. No Alemão também eram comuns intervenções pra falar coisas sobre como eles são etc.

Não tenho um ponto específico no qual quero chegar, só achei interessante sentir isso, acaba me tornando mais receptiva a esses momentos de aprendizado sobre os países em si, sua história e origens.