the house of small cubes, o velho e o mar e a trajetória.

Pode conter spoilers.

Teoricamente estou de férias da universidade, na prática estou fazendo qualquer coisa menos o que eu queria fazer quando tivesse de férias, haha. Como? Não sei, e daqui a pouco elas se vão e a lamúria vai prosseguir. Comprei material pra fazer um quimono de crochê, veremos se vai prestar.

Por incrível que pareça, depois que terminei Catcher in the rye minhas leituras andaram e vai ficar faltando só um livro da meta que elaborei. No mesmo dia que assisti um curta chamado The house of small cubes (tem na Netflix), conclui a obra O velho e o mar, e os dois se conectaram de uma forma legal pra mim, de uma forma que provavelmente não vou conseguir expressar tão bem aqui. Os dois falam de jornadas, trajetórias, de seguir em frente, se agarrando ao sentimento que restou. Foi impossível não me emocionar com o curta, ainda mais porque no dia eu estava me sentindo apegada demais ao que estava submerso e sem perspectivas de construir algo novo (quem assistir vai entender). Quando peguei O velho e o mar, a vibe já tinha passado um pouco e acabei me emocionando de uma forma mais positiva, apreciando a perseverança e esperança daquele senhor. No início acreditei que não iria gostar tanto do livro, não estava acontecendo nada demais e eu nunca li um livro envolvendo o mar e esse tipo de coisa. Acabou sendo uma ótima surpresa ler os pensamentos do velho sozinho, tentando afastar os pensamentos negativos pra sobreviver. Acabei lembrando até das aulas de administração, pelo foco e estratégia que ele demonstrava.

Um post legal que li esses dias e tem a ver com tudo isso que falei foi o Alguns erros não foram feitos para serem corrigidos no Papo de Homem, fica a recomendação. Também achei interessante o Saiba como é viver com ansiedade de desempenho no Psiconlinews, infelizmente me identifiquei um pouco, talvez bastante… Deve ter relação com a bad que citei antes… É meio estranho saber que dão esses nomes pra algo que você imagina que seja rotineiro, pois algumas coisas imagino como sendo apenas eu, o jeito que funciono, não uma “doença”.

suíte de silêncios e memória.

Pode conter spoilers.

Esse livro de Marilia Arnaud foi como uma grande poesia pra mim, sincero, com belas metáforas e interpretações bem abertas. Transitando entre memórias de fases diferentes da vida de Duína, expondo a volatilidade que elas têm, o peso que geram em nós e a intensidade que nossa cabeça as atribui. A comparação com poesia implica também na dificuldade que tenho em me envolver, justamente pelo caráter abstrato, porém nesse livro não chega a pesar tanto.

A vida não é uma casa abandonada, da qual se podem remover os entulhos e pintar as paredes de branco. Quem esquece mata e morre.[…]

Com uma vida marcada pelo abandono da mãe, Duína se vê presa nesse silêncio, na experiência relembrada em outros abandonos que cedo ou tarde acontecem.

I knew that you were a truth I would rather lose
Than to have never lain beside at all
[…]
Love is watching someone die

Aproveitando a vibe do livro, lembrei do que tinha refletido sobre esse trecho de What Sarah Said do Death Cab for Cutie. Embora doa, o aprendizado que se tem com relacionamentos é algo incrível e nunca em vão. Talvez quando percebemos o valor do conjunto, com as coisas boas e ruins, vemos também que é melhor perder do que nunca ter tido. Que ver alguém morrer, nas mais diversas interpretações, faz parte dessa coisa complexa que é o amor.

Gostei bastante do livro e contente por ter algo de tão boa qualidade saindo da Paraíba. Esse ano foi lançada outra obra da autora, “Liturgia do fim”. Deixo aqui o link a quem interessar!

a biblioteca mágica e minha incapacidade de suspender descrença.

Pode conter spoilers.

Como estudante de Biblioteconomia, com certeza achei promissora a proposta do livro “A biblioteca mágica de Bibbi Bokken”, de Jostein Gaarder e Klaus Hagerup. Até chegar o final eu estava gostando, mas aí acabou o encanto. Fui com expectativas altas, sim ou claro?

Resumindo, na primeira parte vemos a troca de cartas entre dois primos que se ocupam em resolver um mistério sobre uma mulher esquisita que parece ser maluca por livros. Na segunda parte, eles entram como narradores diretos (?) e vamos sendo direcionados à solução da coisa toda.

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Por ser um livro direcionado ao público infanto-juvenil, acredito que tenha cumprido seu papel, mostrando mais do que o usual. Isso já é louvável, mas minha cabeça de adulta (?) amarga me deixou a sensação de correria e uma viagem louca na explicação de como as peças se encaixam.

Talvez eu deva aceitar que esse livro cabe muito bem ao que se propôs. O fato deve ser que não sou tão chegada a estórias que soam muito forçosas, neste caso onde os adultos têm extremo interesse nas crianças e tudo mais. Provavelmente isso faz mais sentido na Noruega, porque aqui né… Inclusive, amo o formato de cartas/diário e achei super delicinha a primeira parte do livro, principalmente pelo tom irônico/zueiro/argumentador de pré-adolescentes, não me deixando esquecer que só podiam ser crianças europeias mesmo.

Achei válida também a inserção de um carinha representando a tentativa de substituir o livro com outra mídia, no caso o vídeo. Apesar de terem propósitos bem distintos, a representação dele como vilão poderia significar que não se trata apenas de diferentes formas de consumir informação, mas de tentar tirar o suporte livro e colocar outro em evidência, podendo assim controlar de alguma forma o que é consumido.

the catcher in the rye e pressão.

Pode conter spoilers.

Não sei se eu realmente deveria escrever aqui hoje porque tô bem meh e talvez acabe piorando do que ajudando. Os últimos dias foram bem hard pra mim, e talvez agora eu esteja tentando me anestesiar mas sabendo que o motivo da dor ainda tá lá, rodando em segundo plano. Finalmente acabei o The catcher in the rye, que ficou surpreendentemente bom nos últimos capítulos. Estou satisfeita por ter acabado depois de tanto tempo, mas simultaneamente me sinto uma farsa por não ter lido por vontade própria desde o início, digo, sem ficar com aquela sensação de preciso ler mais, não tô lendo tanto quanto antes, vou ler pelo menos um capítulo por dia… Isso tá sendo bem bosta pra mim, porque muita coisa me parece estar sendo feita assim. Não relaxo e quando vou fazer faço como se fosse obrigação. Perdi a leveza de estar com a mente livre, bater a vontade de fazer algo e só ir. Pra achar esse estado de espírito de novo é dose, me parece impossível. Minha cabeça dói feito o diabo, todo dia.

Enfim, me lembrei porque gostei do livro da primeira vez que li há não sei quantos anos, mas acho que não o considero mais um dos meus favoritos. Deixo aqui um super quote em um dos diálogos que não lembrava que existia nesse livro, e aliás a cabeça confusa do Holden sobre não ter ideia do que fazer e ser extremamente crítico e se sentir depressivo com as coisas e tudo mais, acredito que me sinto como ele.

[…]This fall I think you’re riding for – it’s a special kind of fall, a horrible kind. The man falling isn’t permitted to feel or hear himself hit bottom. He just keeps falling and falling. The whole arrangement’s designed for men who, at some time or other in their lives, were looking for something their own environment couldn’t supply them with. Or they thought their own environment couldn’t supply them with. So they gave up looking. They gave it up before they ever really even got started[…] I don’t want to scare you, but I can very clearly see you dying nobly, one way or another, for some highly unworthy cause. If I write something down for you, will you read it carefully? And keep it? “The mark of the immature man is that he wants to die nobly for a cause, while the mark of the mature man is that he wants to live humbly for one.”[…] I think that one of these days, you’re going to have to find out where you want to go. And then you’ve got to start going there. But immediately. You can’t afford to lose a minute. Not you. And I hate to tell you, but I think that once you have a fair idea where you want to go, your first move will be to apply yourself in school. You’ll have to. You’re a student – whether the idea appeals to you or not. You’re in love with knowledge[…] you’re going to start getting closer and closer – that is, if you want to, and if you look for it and wait for it – to the kind of information that will be very, very dear to your heart. Among other things, you’ll find that you’re not the first person who was ever confused and frightened and even sickened by human behavior. You’re by no means alone on that score, you’ll be excited and estimulated to know. Many, many men have been just as troubled morally and spiritually as you are right now. Happily, some of them kept records of their troubles. You’ll learn from them – if you want to. Just as someday, if you have something to offer, someone will learn something from you. It’s a beautiful reciprocal arrangement. And it isn’t education. It’s history. It’s poetry. I’m not trying to tell you that only educated and scholarly men are able to contribute something valuable to the world. It’s not so. But I do say that educated and scholarly men, if they’re brilliant and creative to begin with – which, unfortunately, is rarely the case – tend to leave infinitely more valuable records behind them than me do who are merely brilliant and creative. They tend to express themselves more clearly, and they usually have a passion for following their thoughts through to the end.[…] Something else an academic education will do for you. If you go along with it any considerable distance, it’ll begin to give you an idea what size mind you have. What it’ll fit and, maybe, what it won’t. After a while, you’ll have an idea what kind of thoughts your particular size of mind should be wearing. For one thing, it may save you an extraordinary amount of time trying on ideas that don’t suit you, aren’t becoming to you. You’ll begin to know your true measurements and dress your mind accordingly.

Eu adoro a relação dele com a irmã, e como ele se sente quando se vê no meio da merda toda, perdido, é de partir o coração. :/

invisíveis amarras.

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The Catcher in the Rye está representando, hoje, o quanto eu me apego a terminar o que começo (ironicamente não funciona da mesma forma quando são coisas realmente importantes). Quero ler vários outros livros, mas a “obrigação” que sinto em terminar um, mesmo que não esteja gostando, e esse especialmente pela tentativa de ler algo em inglês, não me deixa partir pra outra com a mente tranquila. </3

A pior parte é saber que foi um livro que curti muito quando li pela primeira vez em português, e agora a experiência não está sendo tão boa. Mudei? Creio que sim. Mais um livro para desapegar, pelo visto. Ah, outra coisa ruim é me sentir assim com algo que costumava me ser tão leve. Ir na biblioteca da escola, escolher um livro depois de algum tempo fuçando as estantes, passar horas lendo sem aquela sensação de desconcentração que hoje é rotineira. Malditos tempos modernos…