emma e o auto-engano.

Pode conter spoilers.

No fim desse feriadão, peguei a mini série Emma, adaptação do livro com mesmo nome, por Jane Austen, pra tentar finalizar. Notei então uma nuance que, creio eu, só consegui enxergar por conta da obra que estou lendo atualmente: Auto-engano, de Eduardo Gianetti. Em uma determinada cena, após um certo rapaz precisar partir, ela se percebe achando tudo sem graça, e logo chega a uma conclusão: deve estar apaixonada! Uma vez que ela julga não conhecer como é possuir tal sentimento, ao sinal de uma mudança no modo de ver seu dia-a-dia, sua lógica é de que só poderia ser isso. E assim, soma-se mais um engano ao conjunto dos que ela já cometeu.

Não diferente do que acontece atualmente, já naquela época, em meio às relações sociais características, temos o engano com os outros e auto-engano. A discrepância reside quando ela percebe o erro, e logo se recompõe. Quão difícil tem se tornado esse processo de refletir sobre o próprio sentimento? Austen dá vida a Emma, que apesar de viver de forma rica e confortável, não se deixou levar por esse sentimento de novidade trazido com alguém novo.

Particularmente, durante a leitura não me envolvi muito. Mas me senti curiosa pra saber qual o fim de todo aquele emaranhado de impressões que Emma tecia. A adaptação da BBC está se mostrando fiel à obra, e me fazendo observar outros aspectos que não havia notado a princípio. A série está disposta em 4 episódios, que encontrei disponíveis para ver online neste link. Fica a indicação.

oh my geum bi e a chance de se redimir.

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Não sou dorameira, juro. Talvez esteja a caminho. Enfim, caí nesse dorama por um trollagem de uma amiga minha. Me “recomendou” sem ela mesma ter visto, e eu fui toda inocente confiando na indicação. Em resumo, é sobre uma menina que tem uma doença rara e toda aquela forma peculiar que as crianças veem o mundo, fazendo as pessoas ao seu redor sentirem esse “amor” também.

Provavelmente não vou conseguir repassar o que senti com essa história. A cada momento que acontecia algo, me vinham várias emoções, muitos pensamentos me vinham à cabeça. O que consigo dizer é que Geum bi, com toda sua inocência, fazia os outros olharem melhor pra si mesmos e quererem mais pra si. Foi isso que senti também.

Uma das coisas que permanece na minha mente até agora, após ter finalizado de assistir, foi a questão de que muitas vezes basta uma doença pra nos permitirmos fazer o que queremos e valorizar mais as pessoas ao nosso redor. Com a insegurança que enfrentamos diariamente, às vezes acho que é mais fácil morrermos antes por causa disso do que por uma doença, então, o que nos falta?

Comentário besta: acho as imagens de divulgação de alguns dramas meio bregas, acredito que não fazem jus ao que ele realmente é, à fotografia etc. Mas fazer o quê né.

the house of small cubes, o velho e o mar e a trajetória.

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Teoricamente estou de férias da universidade, na prática estou fazendo qualquer coisa menos o que eu queria fazer quando tivesse de férias, haha. Como? Não sei, e daqui a pouco elas se vão e a lamúria vai prosseguir. Comprei material pra fazer um quimono de crochê, veremos se vai prestar.

Por incrível que pareça, depois que terminei Catcher in the rye minhas leituras andaram e vai ficar faltando só um livro da meta que elaborei. No mesmo dia que assisti um curta chamado The house of small cubes (tem na Netflix), conclui a obra O velho e o mar, e os dois se conectaram de uma forma legal pra mim, de uma forma que provavelmente não vou conseguir expressar tão bem aqui. Os dois falam de jornadas, trajetórias, de seguir em frente, se agarrando ao sentimento que restou. Foi impossível não me emocionar com o curta, ainda mais porque no dia eu estava me sentindo apegada demais ao que estava submerso e sem perspectivas de construir algo novo (quem assistir vai entender). Quando peguei O velho e o mar, a vibe já tinha passado um pouco e acabei me emocionando de uma forma mais positiva, apreciando a perseverança e esperança daquele senhor. No início acreditei que não iria gostar tanto do livro, não estava acontecendo nada demais e eu nunca li um livro envolvendo o mar e esse tipo de coisa. Acabou sendo uma ótima surpresa ler os pensamentos do velho sozinho, tentando afastar os pensamentos negativos pra sobreviver. Acabei lembrando até das aulas de administração, pelo foco e estratégia que ele demonstrava.

Um post legal que li esses dias e tem a ver com tudo isso que falei foi o Alguns erros não foram feitos para serem corrigidos no Papo de Homem, fica a recomendação. Também achei interessante o Saiba como é viver com ansiedade de desempenho no Psiconlinews, infelizmente me identifiquei um pouco, talvez bastante… Deve ter relação com a bad que citei antes… É meio estranho saber que dão esses nomes pra algo que você imagina que seja rotineiro, pois algumas coisas imagino como sendo apenas eu, o jeito que funciono, não uma “doença”.

o menino, o monstro e relacionamentos.

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Cada vez que me passa algo na cabeça ou assisto algo bom, percebo que sou péssima em estruturar as coisas e explicar pra alguém. Quando paro muito pra pensar até que rola, mas dependendo do teor acaba sendo desgastante e sempre vou deixando pra depois.

Quando se trata de uma “review” aí que piora, eu acho. Enfim, Sam escolheu ontem um filme pra gente ver, fiquei meio de lado porque o gosto dele é um pouco diferente do meu, e quando ele chamou pra ver eu tinha acabado de decidir que ia ler mais um capítulo de O oceano no fim do caminho. Resolvi dar uma chance e começamos (remotamente porque sim, assistimos ao mesmo tempo mas não no mesmo local, coisas da vida).

O filme é uma animação, tá na Netflix e se chama O rapaz e o monstro, em inglês The boy and the beast, em japonês Bakemono no ko (achei a tradução feia, por isso coloquei menino no título). Mostra o crescimento de um menino que fugiu da “família” após sua mãe morrer e não saber onde está seu pai. Ele acaba encontrando uma fera que vagava pelo mundo humano e a segue, adentrando assim em outra dimensão, e se tornando pupilo do “monstro”.

Ao contrário de certas histórias de anime bobinhas, algumas tem uma profundidade incrível, até porque a cultura oriental é muito rica, e esse filme pra mim foi uma delas. O filme inteiro mostra como o outro sempre pode ser uma fonte de aprendizado, pois serve como um espelho no qual percebemos nossas diferentes nuances. Sei que à medida que se tem novas experiências nossos conceitos mudam, pra alguns a animação pode ser mais do mesmo ou não trabalhar o tema tão bem, mas pra mim foi realmente como um espelho, e é incrível perceber como até mesmo um desenho pode te ajudar a se conhecer. Cada um vê algo diferente, e nesse caso o que eu enxerguei me trouxe algo bom e que encaixa com coisas que tenho vivido e pensado.

Um dos momentos mais legais e que eu gostaria muito que tivesse sido mais explorado foi quando eles saem em uma jornada para conhecer sábios, e a cada um perguntam “o que é força?”. Todos respondem de uma forma diferente e Ren, ainda criança, se maravilha com a quantidade de significados que força pode ter. Enquanto isso seu mestre acha tudo bobagem e que ele deve encontrar seu significado sozinho. O menino, como pupilo, absorve tudo e tem muito interesse em aprender e ser forte. Por isso dá importância ao que ouviu, ao mesmo tempo que procura seu próprio significado. Cada um se mostra sábio na arte de ser quem é, e reconhecer isso permite entender qualidades e defeitos dos outros, assim como se observar em outras situações, entender a si mesmo, perceber seus pontos fortes e fracos e ser capaz de aceitar ajuda.

Como o Ren se interessa muito em aprender e cresceu fora do mundo humano, ao encontrar uma passagem para voltar, passa a frequentar a biblioteca, ao mesmo tempo que conhece uma garota da idade dele que o ajuda a se alfabetizar. Um dos momentos mais bonitos pra mim, em que o mundo se expande ainda mais pra ele e também cresce a conexão com alguém, a sensação de compreensão, ser capaz de ajudar e se deixar ser ajudado.

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Viver em um mundo cheio de “mestres” em ser eles mesmos implica também em desenvolver seu próprio significado para as coisas e seu próprio posicionamento, não se deixando levar por falsos ideais. Todo embate acaba se tornando mais uma forma de ter um reflexo de si, se posicionar, se reconstruir, aprender. De escolher não matar você nem o outro, mas reagir com a “espada no coração”.

Essa coisa de relacionamentos está sendo tão pesada pra mim esse ano que inclusive acho que os problemas de saúde que venho tendo são resultado do estresse disso, chega a ser assustador. Estou até lendo, ainda que esporadicamente, o livro Relacionamentos para leigos, que a princípio soa auto-ajuda e tal, mas achei o conteúdo relevante e honesto. Enquanto via o filme percebi muitos pontos em comum entre um e outro.

reality bites: pelo momento ou pelo conteúdo?

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Acabei de assistir um filme despretensiosamente, depois de ver uma daquelas imagens com quotes que circulam no Facebook, mais especificamente essa:

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Acho que assistir às cegas me fez ter uma visão bem simplista e talvez empática sobre ele, seus personagens, etc. O filme em questão é o Reality Bites, que resumidamente trata de um grupo de jovens após se formarem na faculdade, seus ideais, como lidam com a necessidade de se sustentar e essa coisa toda. Apesar de estar pensando muito sobre esse tipo de assunto ultimamente, esquentando a cabeça e tudo mais, eu vi mais do que isso nesse filme. Antes de vir escrever aqui, olhei algumas impressões de outras pessoas sobre ele, que me chamaram a atenção por acharem que certa personagem foi endeusada, outra tida como malvada, e tudo bem. Parece ser um filme com público alvo pra quem tá nessa fase, e mesmo que eu não queira talvez inconscientemente tenha sido isso que tenha me feito gostar dele. Não foi “oh melhor filme da vida”, mas até chorei, e filmes que me fazem chorar ganham pontos comigo. Vi um pouco de mim em cada um deles, mas não pela idade e momento da vida, mas pelas merdas que fazem, pensamentos que já passaram na cabeça, por um momento feliz com alguém e depois não saber mais o que sente. Por não saber lidar com as situações, por perder o controle na hora de falar.

E bem, futuramente eu posso ver esse filme, na minha super maturidade adquirida, e achar uma baboseira, mas agora, pra mim, esse filme trata de mudanças e relações humanas. De fazer besteira, de ocultar, de se comunicar, e isso a gente aprende aos poucos, não do dia pra noite. Não vejo como definindo alguém como bom e ruim dentro da trama, mas pessoas sendo elas mesmas, fazendo o que acham melhor pra si naquele momento, e that’s it. Se o filme fosse continuar veríamos muito mais tretas, a mocinha poderia achar que fez uma burrada ficando com alguém que não tem um objetivo na vida, o carinha poderia se desencantar com ela, enfim, a vida é assim minha gente, e eu acho que o filme retratou bem isso.

— Além disso, todo mundo morre sozinho.
— Se acredita nisso mesmo, quem está procurando aqui fora?

Esse quote se destacou pra mim, porque o mocinho principal sempre lida com as coisas de uma forma desapegada, e aí o outro cara questiona isso a ele. Eu relacionei isso com aquilo de “ah, tá tudo fodido mesmo” junto com o oposto ideal de querer deixar um legado para a humanidade, fazer algo importante. O casalzinho principal é a união desses extremos. Porém, manter a pose de vida louca ou ser aquela criatura certinha que super se cobra e tem tudo milimetricamente calculado pros próximos dez anos, trazem ambos prejuízos. E a esfera que podemos alcançar vale mais, o resto é consequência. Sim, é bem importante planejar e analisar o que você quer da vida, e também não ser tão materialista. Mas mais importante ainda é tentar se aproximar daquela coisa chamada equilíbrio, e não é fraqueza errar enquanto se tenta.

Espero lembrar desse filme e revê-lo daqui a um tempo, pra saber se minha opinião permanece.

91 days, decisões e máfia.

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Vi um post sobre o anime 91 Days, no Nave Bebop, que me impeliu a assistir. Então chamei meu namorado e iniciamos o primeiro episódio. Não sou daquelas que costuma ver animes com frequência, apesar de já ter passado por um período assim, mas de todo modo ainda procuro alguns de vez em quando.

A temática de máfias geralmente é bem confusa pra mim, talvez pelos nomes que acabo não lembrando e acabo me enrolando bastante no meio de todas as tretas. Foi assim com Gangsta., que terminei sem entender nhecas, mas provavelmente vou dar uma chance a 91 porque dessa vez vai ter alguém acompanhando comigo, ou seja, vou aproveitar bastante pra encher o saco tirando minhas dúvidas sobre que-diabos-aconteceu-nesse-episódio?

A história é sobre um garoto que vê sua família ser assassinada por uma família que comandava o local, aparentemente porque seu pai era envolvido com ela. Ele consegue fugir e, 7 anos depois, recebe uma carta com uma foto da sua irmã e, pelo que entendi, vai atrás do remetente. O que mais me chamou atenção nesse primeiro episódio foi durante a cena do assassinato dos pais do protagonista (sim, vou chamar de protagonista porque não sou dessas que decora nomes de personagens facilmente), quando a irmã dele corre para fora do armário que estava escondida para abraçar a mãe.

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Com certeza foi uma cena bastante tensa, e imagino o impacto disso na cabeça do protagonista, uma criança na época, ainda mais considerando que ele continuou escondido e assistiu a morte da família, sem conseguir fazer nada.

Sei bem que é cedo para levantar hipóteses sobre o rapaz, mas acredito que esse fato deixou uma marca dolorosa nele, além do evidente desejo por vingança. Gosto de perceber esse tipo de coisa sobre a história dos personagens e tentar ver reflexos disso em suas atitudes, acredito que é algo que dá bastante profundidade ao desenvolvimento da trama e o entendimento de suas nuances. Vamos ver o que vai rolar em seguida!

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Para quem tiver interesse em acompanhar, indico o Valar Fansub que está legendando o anime, por enquanto com quatro episódios.