panorama da bad.

Depois de muitas bads e assuntos mal resolvidos (provavelmente por eu ~querer~ fazer coisas demais), confesso e registro aqui como um compromisso comigo mesma: preciso organizar as minhas coisas. Quando falo organizar, quero dizer mais do que dar um tique na tarefa “arrumar a cama” do Habitica pra ganhar xp e etc. Pra “começar” — porque na minha cabeça isso já foi um passo dado — fiz uma limpa no Trakt.tv e Skoob de coisas que quero ler/assistir, pra tirar um pouco desse peso na minha cabeça de achar que tenho que consumir tudo que acho interessante.

No fim do ano passado, me conscientizei sobre o fato de, por não costumar pedir coisas, por algum motivo ainda não desvendado, esperar que quando eu peça, seja atendida. E quando não sou, fico contrariada. Acredito que isso aconteça porque eu costumo sondar bastante antes de pôr a cara à tapa, e quando a tapa acontece anyway, me frustro.

E tem mais. Lendo esse artigo do Psiconlinews, falando sobre algo que tá relacionado a todas as tretas e eu, com todos esses pensamentos frenéticos, imaginem só, não me toquei. Depois desse fatality, percebo que não se perdoar e compreender só seria possível se houvesse perfeição, e isso é óbvio que tá faltando.

Me pergunto sobre como seguir. Ultimamente, quase 24/7. Não tô conseguindo parar. E me deixa triste ver os posts ganhando esse teor melancólico, planejava bem mais pra esse espaço. Quando conheci o Doce Biblioteca, de uma graduanda em Biblioteconomia como eu, senti que era um blog daquele jeito que eu pretendia ter, e olha o que tá virando.

Meu trabalho atual exige lidar com pessoas, algo que sou extremamente péssima. Eu o vejo como uma serviço de referência, só que comercial. Somando a isso o fato de eu ser péssima em fingir que estou bem quando não estou, tem-se o desastre. Sinto como se o aspecto de relações humanas fosse o que menos progride na minha vida. A ideia que reside na minha cabeça sobre como eu deveria ser, principalmente no trabalho, conflita com o que acabo realmente sendo. Me sinto uma péssima atendente e nenhum mantra repetido antes de bater o ponto muda a forma que lido com isso. O estresse provocado tanto pelo ambiente quanto por mim mesma me tiram do sério, e apesar de pagar bem, não vejo hora de sair. Ao mesmo tempo, é uma das coisas que mais me preocupa, porque sinto que não conseguirei algo com perspectivas “seguras” depois que sair de lá. Meu contrato está em seus últimos meses. E em mim se agrava a sensação de que a cada dia caminho mais um passo em direção a um destino fatal, que não tenho ideia de qual é mas que tenho certeza de que é inevitável…

A pior parte é se ver afundando nesse mar de certezas incertas, e afetando quem se preocupa com você. Me sinto negligente, manipuladora, não-merecedora, e mais um monte de adjetivos desagradáveis.

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6 comentários sobre “panorama da bad.

  1. É inacreditável o quanto me identifico com este post. To na mesma situação. Eu penso em parar de trabalhar, preciso descansar, por outro lado, como ficaria tudo se eu saísse? Não consigo mais estar 100% aqui e tratar os demais com simpatia, que é o esperado… Enfim, boa sorte pra nós!

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  2. Olá, vi seu post sobre o meu blog e (acho que) fiquei muito agradecida. Se quiser alguém pra bater papo, falar da profissão e se desesperar por este começo de vida é só chamar no facebook, ok? facebook.com/andrezasreis

    Parece clichê, mas vou ficar bem feliz em conversar com você.

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  3. Oi, Tudo bem?

    O primeiro conselho que te dou é: respire. Respire fundo.
    Você não vai conseguir ser tudo que você acha que tem que ser, nunca. Você sempre vai achar que as pessoas lidam melhor com as coisas que você. Você sempre vai achar que devia estar elvando as coisas de outra forma.

    Isso não é uma crítica, é um “bem-vinda ao clube” 😛

    Lidar com pessoas é dificílimo. Dá vontade de bater mesmo. Eu tive colegas de profissão que me faziam chorar todos os dias e querer largar a biblioteca para ser caixa no Walmart. Alunos que jogavam na minha cara que pagavam meu salário, e eu quera dar neles. Pessoas que sentiam prazer em pisar na minha cabeça.

    Você vai trocar de emprego para um melhorzinho, mas esse tipo de coisa vai continuar acontecendo. Porque a culpa não é sua. Porque as pessoas são assim.

    Mas também tem as coisas boas. Quando você consegue diminuir seu desespero e a sensação de “Ai meu Deus, preciso resolver isso, tá acontecendo de novo!!!” que só paralisam a gente – acredite em mim quando eu digo que sei disso – e pensa com clareza, algumas coisas melhoram. Eu demorei 8 anos para me achar na nossa profissão. Demorei mais que isso para entender que eu sou assim, não como os outros acham que eu devo ser. Continuo lidando com as crises, mas elas são menores hoje aos 30, depois que me convenci de certos fatos, que as 20 e poucos, quando eu achava que devia ser TUDO, ver TUDO, ler TUDO, e dar conta de TUDO.

    Quiser conversar, me manda um e-mail. Eu já vi de quase tudo, sério, rsrsr. Já tive colegas de profissão e amigas próximas com o mesmo desespero.
    Meu blog pessoal tá cheio disso também (desordemnomuquifo.blogspot.com.br), se quiser se identificar com outra maluca.

    Mas respira, as coisas se acertam, mesmo que a gente não veja isso no poço de desespero que a gente se enfia 🙂

    Um beijo!

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    • Eita moça, você enfrentou por decisões difíceis ein… (devorei teus dois blogs essa madrugada rsrs) É bom ler sobre experiências parecidas e saber que tem como lidar e tal. Agradeço pelo comentário, me fez pensar além. Acho que não me sinto confortável ainda em trocar e-mails (pelo aspecto RH que comentei no post), então por enquanto vou só continuar acompanhando seus blogs. Gostei muito do jeito que você se expressa ao escrever. Abraço!

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