o controle.

Quando pensei em escrever sobre isso tinha mais ideias, mas tava no ônibus e simplesmente esqueci. Todo o insight surgiu quando estava na parada esperando o bendito. Meu olhar desfocado, os carros passando. O vento batendo e balançando meu cabelo. Logo ali, bem na minha frente, uma loja de cerâmicas, paisagismo, etc. Um moço coloca seu gatinho dentro de um vaso, apóia suas pernas e folheia um jornal. Meus olhos marejam, a visão se turva diante daquela cena. Não vou mentir, senti inveja. Nem sei quão confusa pode ter sido ou ainda é a vida daquele rapaz. Mas naquele momento, acredito que ele estava em paz, e quis ter aquela paz também.

Quando nos apaixonamos
Estamos apenas nos apaixonando
Por nós mesmos
Estamos em espiral

Meu cabelo balança, mas na maioria das vezes não se solta de sua raiz; as rodas dos carros giram em torno do eixo, e eles se rendem à gravidade. Achando que posso mudar meu comportamento para o que bem entender, me engesso com o não conseguir. Percebi que criar consciência das coisas tem me feito querer mudá-las num estalar de dedos. Essa consciência deveria me inspirar a descobrir quem sou e adequar a minha visão a isso, e não o contrário. Me tornar parte do mundo entendendo o outro e a mim mesma. E é todo um processo até lá.

panorama da bad.

Depois de muitas bads e assuntos mal resolvidos (provavelmente por eu ~querer~ fazer coisas demais), confesso e registro aqui como um compromisso comigo mesma: preciso organizar as minhas coisas. Quando falo organizar, quero dizer mais do que dar um tique na tarefa “arrumar a cama” do Habitica pra ganhar xp e etc. Pra “começar” — porque na minha cabeça isso já foi um passo dado — fiz uma limpa no Trakt.tv e Skoob de coisas que quero ler/assistir, pra tirar um pouco desse peso na minha cabeça de achar que tenho que consumir tudo que acho interessante.

No fim do ano passado, me conscientizei sobre o fato de, por não costumar pedir coisas, por algum motivo ainda não desvendado, esperar que quando eu peça, seja atendida. E quando não sou, fico contrariada. Acredito que isso aconteça porque eu costumo sondar bastante antes de pôr a cara à tapa, e quando a tapa acontece anyway, me frustro.

E tem mais. Lendo esse artigo do Psiconlinews, falando sobre algo que tá relacionado a todas as tretas e eu, com todos esses pensamentos frenéticos, imaginem só, não me toquei. Depois desse fatality, percebo que não se perdoar e compreender só seria possível se houvesse perfeição, e isso é óbvio que tá faltando.

Me pergunto sobre como seguir. Ultimamente, quase 24/7. Não tô conseguindo parar. E me deixa triste ver os posts ganhando esse teor melancólico, planejava bem mais pra esse espaço. Quando conheci o Doce Biblioteca, de uma graduanda em Biblioteconomia como eu, senti que era um blog daquele jeito que eu pretendia ter, e olha o que tá virando.

Meu trabalho atual exige lidar com pessoas, algo que sou extremamente péssima. Eu o vejo como uma serviço de referência, só que comercial. Somando a isso o fato de eu ser péssima em fingir que estou bem quando não estou, tem-se o desastre. Sinto como se o aspecto de relações humanas fosse o que menos progride na minha vida. A ideia que reside na minha cabeça sobre como eu deveria ser, principalmente no trabalho, conflita com o que acabo realmente sendo. Me sinto uma péssima atendente e nenhum mantra repetido antes de bater o ponto muda a forma que lido com isso. O estresse provocado tanto pelo ambiente quanto por mim mesma me tiram do sério, e apesar de pagar bem, não vejo hora de sair. Ao mesmo tempo, é uma das coisas que mais me preocupa, porque sinto que não conseguirei algo com perspectivas “seguras” depois que sair de lá. Meu contrato está em seus últimos meses. E em mim se agrava a sensação de que a cada dia caminho mais um passo em direção a um destino fatal, que não tenho ideia de qual é mas que tenho certeza de que é inevitável…

A pior parte é se ver afundando nesse mar de certezas incertas, e afetando quem se preocupa com você. Me sinto negligente, manipuladora, não-merecedora, e mais um monte de adjetivos desagradáveis.

pensamento sobre palestra de empreendedorismo.

Na Semana Acadêmica do meu curso, foi ministrada uma palestra sobre Empreendedorismo na área (Biblioteconomia). Não achei essas coisas todas, só me atentou para pesquisar as iniciativas dos profissionais pra ter alguma noção do que está sendo feito, e tentar ver também como funciona essa tal de empresa júnior que muitos cursos possuem. O que me marcou, na verdade, foi o tom motivacional que boa parte da palestra teve, inclusive com frases do tipo “não trabalhe para realizar o sonho de alguém” ou algo assim, e em um momento posterior foi usado como resultado positivo a geração de empregos que a prática empreendedora provoca. Talvez minha reação e interpretação dessas falas tenham sido erradas, mas penso que não há problema em trabalhar para realizar o sonho de alguém, desde que esse sonho seja também o seu. Acredito que o enfoque deveria ser o aprimoramento no que você se sente mais motivado apesar dos percalços, e buscar um trabalho que corresponda a isso, independente de ser chefe ou empregado, público ou privado.

oh my geum bi e a chance de se redimir.

Pode conter spoilers.

Não sou dorameira, juro. Talvez esteja a caminho. Enfim, caí nesse dorama por um trollagem de uma amiga minha. Me “recomendou” sem ela mesma ter visto, e eu fui toda inocente confiando na indicação. Em resumo, é sobre uma menina que tem uma doença rara e toda aquela forma peculiar que as crianças veem o mundo, fazendo as pessoas ao seu redor sentirem esse “amor” também.

Provavelmente não vou conseguir repassar o que senti com essa história. A cada momento que acontecia algo, me vinham várias emoções, muitos pensamentos me vinham à cabeça. O que consigo dizer é que Geum bi, com toda sua inocência, fazia os outros olharem melhor pra si mesmos e quererem mais pra si. Foi isso que senti também.

Uma das coisas que permanece na minha mente até agora, após ter finalizado de assistir, foi a questão de que muitas vezes basta uma doença pra nos permitirmos fazer o que queremos e valorizar mais as pessoas ao nosso redor. Com a insegurança que enfrentamos diariamente, às vezes acho que é mais fácil morrermos antes por causa disso do que por uma doença, então, o que nos falta?

Comentário besta: acho as imagens de divulgação de alguns dramas meio bregas, acredito que não fazem jus ao que ele realmente é, à fotografia etc. Mas fazer o quê né.