interpretações.

Hoje vi colado na janela do ônibus um anúncio de um palhaço, animador de festas, e comecei a imaginar alguém no futuro usando isso pra escrever textão, refletindo sobre a suposta necessidade de nós, do passado, em ter uma pessoa exclusivamente para “animar” a festa, como se fôssemos tão incapazes de fazer isso por nós mesmos, como se tivéssemos achado formas de tornar profissão toda e qualquer habilidade, como se as comemorações fossem meras reuniões de pessoas tentando manter aparências e que não tinham tanta afinidade entre si pra tornar a festa animada por si sós. E agora essa “reflexão” não cabe mais a um ser futuro, mas do presente, de forma meio aleatória numa viagem de ônibus a caminho de mais um dia de trabalho.

Anúncios

escolhas.

Ontem me lembrei do motivo de ter parado de beber, e ainda com um plus: se tiver realmente afim, que seja com pessoas que confie. O simples fato de estar bebendo faz com que os caras achem que você está dando brecha pra investidas, e quando se tem consciência disso mesmo estando bêbada, qualquer ida no banheiro se torna um pouco apavorante, o medo de encostar num local e acabar dormindo. Além do vazio no dia seguinte.

um eterno prestes a explodir.

Hoje vim escrever, não porque tinha algo legal pra falar, mas porque estou me sentindo carregada de uma maneira que me sinto culpada até mesmo por me sentir assim. Apesar do esforço de duas ou três pessoas em me manter por perto ou mostrar que se importam, me sinto um estorvo, que nem ao menos merecia esse esforço por parte deles. Às vezes coisas simples (que ganham importância no overthinking), às vezes outras mais complexas, me fazem sentir mais distante deles, de todos, e se eu não voltar a mim antes que seja tarde, não há mais volta, vide o que houve com minha irmã e meu pai, os quais não falo mais. É triste me ver assim, é triste ser ciente do meu vitimismo, é triste entrar no loop que me ocorre frequentemente. É triste estar sorrindo num segundo e no outro ter um surto por causa de uma situação gatilho. É triste sentir-se com um balão no peito, que a cada vez que inspiro infla, e me dificulta a respiração mais e mais. É triste ter medo de tudo, ter medo de ser um peso, medo de ouvir que não se é um peso, e de ser deixada, provavelmente por ser um peso e fazer o outro se sentir um peso também. É triste achar que o problema sou eu e querer me afastar, mas lembrar que se for assim canto nenhum vai ser bom. É triste saber que sou eu e não sou eu, é triste saber que posso mudar mas não posso. É triste saber que talvez não seja sobre mudar, mas não saber se estou no caminho certo. É triste não saber se há caminho certo e está tudo pré-determinado e é isso aí mesmo, aceita que dói menos. Você não nasceu pra estar satisfeita, você nasceu pra aprender a ser você e está falhando.

the house of small cubes, o velho e o mar e a trajetória.

Pode conter spoilers.

Teoricamente estou de férias da universidade, na prática estou fazendo qualquer coisa menos o que eu queria fazer quando tivesse de férias, haha. Como? Não sei, e daqui a pouco elas se vão e a lamúria vai prosseguir. Comprei material pra fazer um quimono de crochê, veremos se vai prestar.

Por incrível que pareça, depois que terminei Catcher in the rye minhas leituras andaram e vai ficar faltando só um livro da meta que elaborei. No mesmo dia que assisti um curta chamado The house of small cubes (tem na Netflix), conclui a obra O velho e o mar, e os dois se conectaram de uma forma legal pra mim, de uma forma que provavelmente não vou conseguir expressar tão bem aqui. Os dois falam de jornadas, trajetórias, de seguir em frente, se agarrando ao sentimento que restou. Foi impossível não me emocionar com o curta, ainda mais porque no dia eu estava me sentindo apegada demais ao que estava submerso e sem perspectivas de construir algo novo (quem assistir vai entender). Quando peguei O velho e o mar, a vibe já tinha passado um pouco e acabei me emocionando de uma forma mais positiva, apreciando a perseverança e esperança daquele senhor. No início acreditei que não iria gostar tanto do livro, não estava acontecendo nada demais e eu nunca li um livro envolvendo o mar e esse tipo de coisa. Acabou sendo uma ótima surpresa ler os pensamentos do velho sozinho, tentando afastar os pensamentos negativos pra sobreviver. Acabei lembrando até das aulas de administração, pelo foco e estratégia que ele demonstrava.

Um post legal que li esses dias e tem a ver com tudo isso que falei foi o Alguns erros não foram feitos para serem corrigidos no Papo de Homem, fica a recomendação. Também achei interessante o Saiba como é viver com ansiedade de desempenho no Psiconlinews, infelizmente me identifiquei um pouco, talvez bastante… Deve ter relação com a bad que citei antes… É meio estranho saber que dão esses nomes pra algo que você imagina que seja rotineiro, pois algumas coisas imagino como sendo apenas eu, o jeito que funciono, não uma “doença”.