suíte de silêncios e memória.

Pode conter spoilers.

Esse livro de Marilia Arnaud foi como uma grande poesia pra mim, sincero, com belas metáforas e interpretações bem abertas. Transitando entre memórias de fases diferentes da vida de Duína, expondo a volatilidade que elas têm, o peso que geram em nós e a intensidade que nossa cabeça as atribui. A comparação com poesia implica também na dificuldade que tenho em me envolver, justamente pelo caráter abstrato, porém nesse livro não chega a pesar tanto.

A vida não é uma casa abandonada, da qual se podem remover os entulhos e pintar as paredes de branco. Quem esquece mata e morre.[…]

Com uma vida marcada pelo abandono da mãe, Duína se vê presa nesse silêncio, na experiência relembrada em outros abandonos que cedo ou tarde acontecem.

I knew that you were a truth I would rather lose
Than to have never lain beside at all
[…]
Love is watching someone die

Aproveitando a vibe do livro, lembrei do que tinha refletido sobre esse trecho de What Sarah Said do Death Cab for Cutie. Embora doa, o aprendizado que se tem com relacionamentos é algo incrível e nunca em vão. Talvez quando percebemos o valor do conjunto, com as coisas boas e ruins, vemos também que é melhor perder do que nunca ter tido. Que ver alguém morrer, nas mais diversas interpretações, faz parte dessa coisa complexa que é o amor.

Gostei bastante do livro e contente por ter algo de tão boa qualidade saindo da Paraíba. Esse ano foi lançada outra obra da autora, “Liturgia do fim”. Deixo aqui o link a quem interessar!

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