como ser quem sou se o que estou sendo não me agrada.

Título alternativo: o yoga diz que não precisa mudar mas como aceitar isso quando estou sendo uma estressada-ignorante-depressiva?

Há algum tempo ando pensando em escrever sobre tudo que tô sentindo no último mês (mais intensamente nessa última semana). Faltava a vontade pra sentar e tentar expressar tudo em palavras, tentando fazer sentido pra mim mesma, e não apenas jogando pensamentos, como em momentos de desespero conversando com amigos.

Não sei mais como me encontrar comigo, não sei como sair dessa nuvem negra que torna minha cabeça frenética, que me faz ter autocrítica extrema e me deixa pesada o dia inteiro, sem saber se tô ficando louca mesmo ou se as coisas que faço e os lugares que frequento que não tão me fazendo bem. Mas como descobrir? Como sentir o que tá ruim e conseguir ter força pra transpassar isso? Esse sentimento de necessidade de mudar me faz curvar ainda mais nesse mundinho negro dentro de mim. É o que essas coisas místicas dizem, não adianta querer ir contra, ou você continua preso à tal coisa da mesma forma. O que não me entra na cabeça é, como posso conseguir “abraçar” minha ignorância? ansiedade? covardia? Quem tiver tutorial please manda, preciso.

yuki
ter a personalidade do Yukihira, seria meu sonho?

Pra fechar esse post, deixo aqui alguns links interessantes lidos nos últimos dias:

“O objetivo do Yoga não é mudar de comportamento”: o não sofrer, na visão de Marco Schutlz, no _dharmalog
Um dos últimos que li sobre esse assunto, e reavivou a dúvida na minha cabeça. Sim, eu penso demais e descobri que tem gente que consegue se desligar, como faz?

O Ócio Leitor, no O Espanador
Usando a deixa do bordar (que assim como crochê também me atiça algum interesse, sempre sem dar um passo a mais, provavelmente por essa incapacidade minha de fazer algo pra mim e por mim) pra mostrar como é bom fazer algo mais relax. Aliás comprei meu uke, que ainda está a caminho, mas espero que eu consiga usá-lo com esse propósito de parar e sentir essa coisa legal de aprender algo novo e tudo mais, em vez de tomar como uma nova obrigação…

Você é guiado por transtornos ou valores?, no Nêposts – rascunhos compartilhados
Esse post, pra mim, se conecta ao anterior, e traduz muito o que tô passando agora. Às vezes posso achar que reflito sobre tudo, mas provavelmente só estou dando input de informações sem parar, relacionando coisas que não deveriam ser relacionadas, me dando pane geral de tempos em tempos.

Os significados do ato de caminhar: “Wanderlust” | Rebecca Solnit, no Biblioconto
Não gosto muito de ler resenhas/comentários sobre livros que não li, pra não afetar minha opinião e tals, mas li sobre esse e coloco aqui mais pela reflexão que me provocou, na questão de que gosto muito de caminhar e tudo mais, observar o ambiente, as casas, mas me sinto privada disso por conta da crescente insegurança nas ruas. Eu costumava caminhar na praia quando voltava da universidade, geralmente quando estava perto do sol se pôr. Sei que sou privilegiada por morar perto da praia mas o medo me impede de retomar esse hábito, isso me entristece imensamente pois me dava muita paz olhar a imensidão do mar.

E é isso.

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2 comentários sobre “como ser quem sou se o que estou sendo não me agrada.

  1. Oi, Flávia! Que legal você ter lido o texto que publiquei e ele ter casado com algumas das suas angústias recentes. Eu também gostei muito do texto da Laís sobre o bordado, e acho que a caminhada vai no mesmo caminho, neste tempo que precisamos para pensar sobre nossas vidas, se não a gente só se arrasta. Interessante você falar sobre a sensação de insegurança: o Bauman também fala sobre isso, sobre esse retraimento das pessoas e a dificuldade de formar comunidades por causa desse medo. A nível pessoal, fico pensando que nos limita em termos de conexões possíveis com os outros. Eu gostaria de ter palavras para te ajudar neste caminho de “quero ser melhor, mas só sei ser eu”. A verdade é que estou passando pelo mesmo. Tem me ajudado as eventuais caminhadas, desacelerar, fazer uma coisa de cada vez. Você já leu Stoner? Eu também achei que me ajudou.
    Abraços e boas sessões de aprendizagem com o ukulele (o uke era isso mesmo?)!

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    • Sim, o uke era isso mesmo! Tenho curiosidade em ler Bauman mas ainda não peguei em nenhum livro de fato. Stoner que você fala é o de John Williams? Li alguém falando sobre ele em algum lugar, e acabei de ver que você já publicou algo sobre também. Obrigada pela dica e o cuidado em deixar um recado pra mim! Confesso que fiquei ansiosa porque é o primeiro comentário que recebo por aqui kkkkk Mas enfim, acho que esses encontros entre as pessoas, apesar da insegurança e dificuldade, podem nos levar a algo melhor, descobrindo mais sobre nós mesmos. Até mais!

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