a biblioteca mágica e minha incapacidade de suspender descrença.

Pode conter spoilers.

Como estudante de Biblioteconomia, com certeza achei promissora a proposta do livro “A biblioteca mágica de Bibbi Bokken”, de Jostein Gaarder e Klaus Hagerup. Até chegar o final eu estava gostando, mas aí acabou o encanto. Fui com expectativas altas, sim ou claro?

Resumindo, na primeira parte vemos a troca de cartas entre dois primos que se ocupam em resolver um mistério sobre uma mulher esquisita que parece ser maluca por livros. Na segunda parte, eles entram como narradores diretos (?) e vamos sendo direcionados à solução da coisa toda.

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Por ser um livro direcionado ao público infanto-juvenil, acredito que tenha cumprido seu papel, mostrando mais do que o usual. Isso já é louvável, mas minha cabeça de adulta (?) amarga me deixou a sensação de correria e uma viagem louca na explicação de como as peças se encaixam.

Talvez eu deva aceitar que esse livro cabe muito bem ao que se propôs. O fato deve ser que não sou tão chegada a estórias que soam muito forçosas, neste caso onde os adultos têm extremo interesse nas crianças e tudo mais. Provavelmente isso faz mais sentido na Noruega, porque aqui né… Inclusive, amo o formato de cartas/diário e achei super delicinha a primeira parte do livro, principalmente pelo tom irônico/zueiro/argumentador de pré-adolescentes, não me deixando esquecer que só podiam ser crianças europeias mesmo.

Achei válida também a inserção de um carinha representando a tentativa de substituir o livro com outra mídia, no caso o vídeo. Apesar de terem propósitos bem distintos, a representação dele como vilão poderia significar que não se trata apenas de diferentes formas de consumir informação, mas de tentar tirar o suporte livro e colocar outro em evidência, podendo assim controlar de alguma forma o que é consumido.

robótica.

A semana veio e já quase se vai, não consigo pensar em nada maravilhoso ou horrível que me tenha despertado emoções extremas. Apenas uma constante sensação de inércia e pequenos traços do que poderia ser algo maior. Problemas de saúde se manifestaram mais intensamente, mas por outro lado ainda consegui tirar um tempo pra relaxar na segunda. A dor de cabeça tem me acompanhado com mais força, porém do mesmo modo que imagino o tanto de coisas que uma dor de cabeça pode indicar e o quão incômoda ela é, penso que não quero me tornar refém de remédios e nem sei como sequer começar a tentar descobrir o que pode vir a ser. Idas à médicos têm sido sempre decepcionantes, além do desperdício de tempo que é perder a tarde inteira aguardando a vez. Não estou com medo de ser algo grave, e não sei se isso é bom ou ruim. Talvez minha cabeça esteja apenas me privando de mais um motivo pra surtar, por enquanto.

Não me sinto feliz nem triste, apenas seguindo. Só essa semana, espero.

analogia.

A vida é tipo quando você tá tomando suco, vendo o mar, alguém tocando piano ao vivo, mas você tá super preocupado e fulo, focado em tirar o pedacinho de fruta que ficou preso no seu dente.

lost in space.

Ontem me deu um nervoso porque mais uma pessoa me seguiu aqui no blog, e outra comentou. Bateu desespero, sensação de estar sendo vigiada. De ter que escrever algo digno do tempo dessa “galera”. E minha intenção ao criar esse espaço aqui não era essa, apesar de também não querer ao mesmo tempo falar pro nada. Espero que isso não afete minha cabecinha e o conteúdo (?) que coloco aqui. Essa situação me remeteu a quando, nessa terça, fiz um brownie que deu errado, receita experimental sem barra de chocolate e tal. Comentei no grupinho de Whatsapp da turma da universidade que pretendia levar pra eles (antes de provar o estrago), e disseram pra eu levar mesmo assim. Esperneei que eles não iriam gostar, que não tava bom, etc. Insistiram muito, daí levei. Mas disse que já tava bem claro que não tava bom e tudo mais, que não precisavam repetir na minha cara que tava ruim mesmo. Mais uma dessas nóias da vida. Sou péssima pra lidar com críticas. Eu mesma já me critico por demais, então né… Algo a se trabalhar. Outra coisa que me martelou hoje foi estar perdendo ideias, pensamentos soltos, reflexões, apesar de ter um caderninho pra anotar, algumas simplesmente vêm num momento não propício ou de uma forma que não sei bem como registrar. Aí sinto que venho aqui encher linguiça ou com algo pensado demais. Os outros blogs que acompanho, nesse estilo “diarinho” parecem mais espontâneos, isso me dá uma agonia do inferno. Fazer o quê.

acordes e incapacidade.

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Meu ukulele chegou sábado :’) Quando vejo que só aprendi os acordes que precisam de um dedo e que não consigo trocar entre um e outro sem estragar a batida, sobe um desespero sim, mas vida que segue. O tal do 100 Happy Days que tinha comentado post passado já morgou por motivos de esqueci. Mas vim aqui escrever porque me bateu essa sensação de incapacidade/falha hoje, mas com outra coisa. Por ver alguém que me importo ficar mal com algo e eu não saber como ajudar. Acho que nunca passei pelo que ele passou, por isso não consigo pensar em algo que me acalmaria se eu estivesse assim. Talvez a questão seja só estar lá. E continuar tentando, assim como devo tentar com os acordes. Com esses, sei que um dia pode sair algo um dia, questão de prática. No outro caso, a tentativa por si só pode já fazer soar uma boa canção. Espero que isso tenha feito sentido pra alguém além de mim.

Se porventura alguém chegou aqui por motivos de ukulele, vou relacionar aqui alguns links que têm me ajudado nessa mui recente jornada:

Método para ukulele
Esse site tem uns exercícios pra agilidade/aquecimento, o resto do material ainda não consegui sacar muito bem, alguns estão incompletos e sem link.

Ukulele Fácil
Esse tem mais dicas de aquecimento, acordes básicos, etc. Eles têm um canal no YouTube também.

Uke Cifras
Site em português com várias cifras.

Ukulele Fácil Para Todos
Guardei esse blog para referências futuras, eles postam vídeos tanto de covers quanto de aulas. Também com canal no YouTube.

Toca Ukulele
Canal do YouTube com reviews, tutoriais, dicas, um dos que tem conteúdo mais variado. Arrumei também um pdf criado por eles com algumas explicações.

UkuTabs
Site em inglês com tablaturas e cifras de músicas. No menu também dá pra encontrar dicas, biblioteca de acordes, mostrar músicas por dificuldades, etc. Encontrei lá esse “cartaz” com 180 acordes em tamanho A2, segundo eles. Pretendo imprimir e colar na parede porque sou exagerada sim.

sobre cheiros e outras coisas.

Segunda e ontem foram dias particularmente bons, hoje já nem tanto, porém (acho que) estou mantendo tudo sob controle. Primeiro dia útil da semana, não pude ir ao yoga porque não tinha digerido bem o almoço, e no meio do caminho vi folhas lilases no chão, e percebi depois de tantas vezes fazendo aquele caminho, a árvore que tinha as tais folhas. Coisa mar linda, mas não consigo achar o nome da bendita. Quem sabe um amigo mais manjado das botânicas saiba me responder dia desses. Mais tarde, me chamam a pretexto de “trouxe algo grande e gostoso pra você”, qual minha surpresa ao descobrir que fui trollada e a tal coisa grande e gostosa era uma amiga nossa. Fiquei decepcionada porque tava esperando comida, mas feliz por me conhecerem tão bem a ponto de saber como me atrair perfeitamente hahaha. Me renderam um humor bom para o resto da noite. Aliás, me indagaram sobre algo que nunca reparei, assim como a árvore de folhas lilases: “que cheiro tu gosta?”. Sim, me deu pane, e a primeira coisa que me veio à mente foi de brigadeiro… sente a gordice da pessoa. Vou tentar prestar mais atenção a essas sensações! Sempre fui de meter o nariz na comida pra sentir o cheiro (não me pergunte o porquê), mas nunca parei pra notar aromas “da natureza”, digamos assim.

Já na terça, recebi a visita de uma senhorinha que passa na loja que trabalho com uma certa frequência, super simpática e animada. O tipo que conversa bastante mas não aquele que fica duas horas tirando assunto do inferno mesmo quando você não fala nada (sim, tem desses). Inclusive descobri que ela mantem um blog e que até comentou de mim lá (!). Deixo aqui o link: http://cronicasdareginadois.blogspot.com.br/. Me encantei com a forma leve que ela se expressa e a beleza com que vê as coisas simples do dia-a-dia, com seu “olhar de cronista”. Fiquei motivada a organizar meus “projetos” e escrever mais, reparar e puxar meu olhar para estas coisas simples também. Pra alegrar mais o dia, não teve aula e ficamos conversando bobagens na sala, e tirando onda com a Siri. Fiquei com 9,5 na segunda nota de Tecnologia da informação (yay!)

Hoje, feriado, chuva, em casa, fazendo vários nadas. Li um capítulo de Coisas frágeis (quando acabar vou comentar sobre aqui), mas ainda não parei pra fazer o que me propus: organizar as palavras-chave do assunto da prova de Administração dessa sexta-feira. Não estou nada afim.

Ontem li um link de uma moça que tinha começado o 100 Happy Days, que eu já tinha visto mas nunca comecei de fato. Então vou iniciar de hoje, mas de uma forma um pouco diferente. Geralmente não consigo tirar boas fotos ou não é possível tirar uma foto do que me fez feliz ou simplesmente pode ter sido uma ideia/pensamento feliz. Então o que vou fazer é me estimular mais a anotar o que me fez bem e tirar mais fotos do que acho bonito, hábito que abandonei.

Por fim, compartilho aqui o clipe dessa música amorzinho que já tinha escutado mas que me deparei de novo hoje, assim como os links habituais que achei interessantes nos últimos dias.

dançar na chuva quando a chuva vem…

O cinema e a literatura podem dar aquela valorizada nas nossas vidas comuns, no Huffpost Brasil
Sobre valorizar nossa vida ordinária, com direito a menção do melhor filme da vida, About time.

Ponto cruz é a pixel art da vida real, no Beyond Cloud Nine
Gente, olha esse mural com os pokemãos e digam que não é a coisa mais omg. Não sou essa pessoa nerd e tal mas achei incrível, deve ter dado um trabalho do inferno. Me faz lembrar que preciso/quero começar a aprender algo assim, crochê, bordado, sei lá.

the catcher in the rye e pressão.

Pode conter spoilers.

Não sei se eu realmente deveria escrever aqui hoje porque tô bem meh e talvez acabe piorando do que ajudando. Os últimos dias foram bem hard pra mim, e talvez agora eu esteja tentando me anestesiar mas sabendo que o motivo da dor ainda tá lá, rodando em segundo plano. Finalmente acabei o The catcher in the rye, que ficou surpreendentemente bom nos últimos capítulos. Estou satisfeita por ter acabado depois de tanto tempo, mas simultaneamente me sinto uma farsa por não ter lido por vontade própria desde o início, digo, sem ficar com aquela sensação de preciso ler mais, não tô lendo tanto quanto antes, vou ler pelo menos um capítulo por dia… Isso tá sendo bem bosta pra mim, porque muita coisa me parece estar sendo feita assim. Não relaxo e quando vou fazer faço como se fosse obrigação. Perdi a leveza de estar com a mente livre, bater a vontade de fazer algo e só ir. Pra achar esse estado de espírito de novo é dose, me parece impossível. Minha cabeça dói feito o diabo, todo dia.

Enfim, me lembrei porque gostei do livro da primeira vez que li há não sei quantos anos, mas acho que não o considero mais um dos meus favoritos. Deixo aqui um super quote em um dos diálogos que não lembrava que existia nesse livro, e aliás a cabeça confusa do Holden sobre não ter ideia do que fazer e ser extremamente crítico e se sentir depressivo com as coisas e tudo mais, acredito que me sinto como ele.

[…]This fall I think you’re riding for – it’s a special kind of fall, a horrible kind. The man falling isn’t permitted to feel or hear himself hit bottom. He just keeps falling and falling. The whole arrangement’s designed for men who, at some time or other in their lives, were looking for something their own environment couldn’t supply them with. Or they thought their own environment couldn’t supply them with. So they gave up looking. They gave it up before they ever really even got started[…] I don’t want to scare you, but I can very clearly see you dying nobly, one way or another, for some highly unworthy cause. If I write something down for you, will you read it carefully? And keep it? “The mark of the immature man is that he wants to die nobly for a cause, while the mark of the mature man is that he wants to live humbly for one.”[…] I think that one of these days, you’re going to have to find out where you want to go. And then you’ve got to start going there. But immediately. You can’t afford to lose a minute. Not you. And I hate to tell you, but I think that once you have a fair idea where you want to go, your first move will be to apply yourself in school. You’ll have to. You’re a student – whether the idea appeals to you or not. You’re in love with knowledge[…] you’re going to start getting closer and closer – that is, if you want to, and if you look for it and wait for it – to the kind of information that will be very, very dear to your heart. Among other things, you’ll find that you’re not the first person who was ever confused and frightened and even sickened by human behavior. You’re by no means alone on that score, you’ll be excited and estimulated to know. Many, many men have been just as troubled morally and spiritually as you are right now. Happily, some of them kept records of their troubles. You’ll learn from them – if you want to. Just as someday, if you have something to offer, someone will learn something from you. It’s a beautiful reciprocal arrangement. And it isn’t education. It’s history. It’s poetry. I’m not trying to tell you that only educated and scholarly men are able to contribute something valuable to the world. It’s not so. But I do say that educated and scholarly men, if they’re brilliant and creative to begin with – which, unfortunately, is rarely the case – tend to leave infinitely more valuable records behind them than me do who are merely brilliant and creative. They tend to express themselves more clearly, and they usually have a passion for following their thoughts through to the end.[…] Something else an academic education will do for you. If you go along with it any considerable distance, it’ll begin to give you an idea what size mind you have. What it’ll fit and, maybe, what it won’t. After a while, you’ll have an idea what kind of thoughts your particular size of mind should be wearing. For one thing, it may save you an extraordinary amount of time trying on ideas that don’t suit you, aren’t becoming to you. You’ll begin to know your true measurements and dress your mind accordingly.

Eu adoro a relação dele com a irmã, e como ele se sente quando se vê no meio da merda toda, perdido, é de partir o coração. :/

como ser quem sou se o que estou sendo não me agrada.

Título alternativo: o yoga diz que não precisa mudar mas como aceitar isso quando estou sendo uma estressada-ignorante-depressiva?

Há algum tempo ando pensando em escrever sobre tudo que tô sentindo no último mês (mais intensamente nessa última semana). Faltava a vontade pra sentar e tentar expressar tudo em palavras, tentando fazer sentido pra mim mesma, e não apenas jogando pensamentos, como em momentos de desespero conversando com amigos.

Não sei mais como me encontrar comigo, não sei como sair dessa nuvem negra que torna minha cabeça frenética, que me faz ter autocrítica extrema e me deixa pesada o dia inteiro, sem saber se tô ficando louca mesmo ou se as coisas que faço e os lugares que frequento que não tão me fazendo bem. Mas como descobrir? Como sentir o que tá ruim e conseguir ter força pra transpassar isso? Esse sentimento de necessidade de mudar me faz curvar ainda mais nesse mundinho negro dentro de mim. É o que essas coisas místicas dizem, não adianta querer ir contra, ou você continua preso à tal coisa da mesma forma. O que não me entra na cabeça é, como posso conseguir “abraçar” minha ignorância? ansiedade? covardia? Quem tiver tutorial please manda, preciso.

yuki
ter a personalidade do Yukihira, seria meu sonho?

Pra fechar esse post, deixo aqui alguns links interessantes lidos nos últimos dias:

“O objetivo do Yoga não é mudar de comportamento”: o não sofrer, na visão de Marco Schutlz, no _dharmalog
Um dos últimos que li sobre esse assunto, e reavivou a dúvida na minha cabeça. Sim, eu penso demais e descobri que tem gente que consegue se desligar, como faz?

O Ócio Leitor, no O Espanador
Usando a deixa do bordar (que assim como crochê também me atiça algum interesse, sempre sem dar um passo a mais, provavelmente por essa incapacidade minha de fazer algo pra mim e por mim) pra mostrar como é bom fazer algo mais relax. Aliás comprei meu uke, que ainda está a caminho, mas espero que eu consiga usá-lo com esse propósito de parar e sentir essa coisa legal de aprender algo novo e tudo mais, em vez de tomar como uma nova obrigação…

Você é guiado por transtornos ou valores?, no Nêposts – rascunhos compartilhados
Esse post, pra mim, se conecta ao anterior, e traduz muito o que tô passando agora. Às vezes posso achar que reflito sobre tudo, mas provavelmente só estou dando input de informações sem parar, relacionando coisas que não deveriam ser relacionadas, me dando pane geral de tempos em tempos.

Os significados do ato de caminhar: “Wanderlust” | Rebecca Solnit, no Biblioconto
Não gosto muito de ler resenhas/comentários sobre livros que não li, pra não afetar minha opinião e tals, mas li sobre esse e coloco aqui mais pela reflexão que me provocou, na questão de que gosto muito de caminhar e tudo mais, observar o ambiente, as casas, mas me sinto privada disso por conta da crescente insegurança nas ruas. Eu costumava caminhar na praia quando voltava da universidade, geralmente quando estava perto do sol se pôr. Sei que sou privilegiada por morar perto da praia mas o medo me impede de retomar esse hábito, isso me entristece imensamente pois me dava muita paz olhar a imensidão do mar.

E é isso.