adeus.

Houve vários dias em que me culpei, me culpei por encontrar um amigo e ter o azar de ele gostar de mim, a ponto de medir minhas ações para não machucá-lo e coisas do tipo. Acho que ainda me culpo. Eu era feliz por ter alguém que mora perto de mim e que se dava tão bem comigo, além de me fazer ver o melhor em mim e dar conselhos como ninguém. Talvez o que eu dei em retorno não tenha sido o suficiente; talvez o que eu dei só foi o suficiente pra trazer decepções, e um dos motivos pra essa pessoa ter depressão. Me senti e me sinto culpada, por ter uma amizade assim e ao mesmo tempo sentí-la tão frágil. Também por usar essa amizade como comparação para todas as outras, o que me traz problemas ainda hoje. Eu me afastei, não poucas vezes, e tive afastamento como resposta também. Pouco a pouco. E levando junto outras pessoas, não sem minha “cooperação”. Mudei de curso, fiz outras amizades. E acompanhava de longe, pessoas que eu costumava conhecer. Que pareciam palpáveis, mas já estavam mais longe do que eu poderia imaginar. Devo estar sendo pretensiosa, mas quem não é?

Eu já sabia, mas recebi o “aviso” hoje. Acho que sou boa em ler nas entrelinhas. Parecia uma reaproximação, uns meses atrás, mas de repente virou distância de verdade, e aí eu percebi. Devo estar dando um tom grave a isso, mas não é intencional. Você ganha o que deu, e é isso que estou vendo agora. A dor de quem ama deve ser bem pior do que aquele que não aceita esse amor, pelo menos não do jeito que o outro espera – mas também é dor. Fico feliz por você, adeus.

decisões.

A oportunidade está por perto, mas não sei se é hora de agarrá-la. Fazer isso significa abrir mão de um planejamento financeiro meio fajuto, mas quase certo. Mas também significaria abrir os braços pra mais aprendizado e outras possíveis oportunidades; pra um ambiente de trabalho menos tóxico e mais condizente com o que acredito (ou não). Se’s e ou’s… Amanhã à tarde terei o resultado, e pensar que ainda há possíveis consequências que precisam ser enfrentadas com cautela…

só uma fase?

Tava lendo um post do Papo de Homem sobre agressividade nas crianças e com o desenrolar do tema sobre a adaptação delas com a nova forma de se comunicar, se fazer entender, pensei em perguntar pra minha mãe como eu era quando mais nova. Ela não lembra da idade em que aprendi a ler, que comecei as séries, o que é bem triste pois me sinto sem uma “memória” ou referencial. Mas ela comentou que devido a uma mudança de casa acabei fazendo duas séries iniciais em um ano só. Diz ela que a professora, que dava aula em duas séries na mesma sala, falou que eu respondia as perguntas que ela fazia à outra turma, mais avançada que a minha. Me recordo de algo do tipo acontecendo na terceira série, então não sei se minha mãe misturou as lembranças. Engraçado ver como as coisas mudam… Queria ter pensado em registrar mais coisas da minha vida antes.

Talvez eu me sinta agora em uma fase do tipo. Uma fase em que tô aprendendo algo mas não sei muito bem o que fazer com isso, sem paciência, chatinha, esse tipo de coisa. Espero que depois que a fase passar o resultado seja bom…

tempo.

Não escrevo há algum tempo, e nem sei bem o porquê. Falta pouco mais de um mês para o encerramento desse período e tem bastante coisa pra ser desenvolvida para as disciplinas, porém os primeiros passos dependem dos professores. Com isso, estou com uma sensação de pendências gigante, e sem paciência para todo o resto. Nada demais acontecendo, anyway.

Abriu um edital para cadastro reserva de estágio na Justiça Federal aqui da minha cidade. Nunca fui fã de direito e a perspectiva da remuneração maior que o usual acabou me motivando, além de não precisar passar por entrevistas e todo esse processo. Um dos livros que acabei recentemente falava das leis como forma de equilíbrio entre os interesses individuais, de uma forma que não havia parado pra pensar antes, e isso me deu um ânimo para aprender mais sobre como funciona toda essa coisa. Por um momento pensei na possibilidade de atuação como perita judicial ou criminal, até pesquisei sobre isso, mas… pra quem não curte nada o estudo de leis e tudo o que sabe sobre essa área é baseado em CSI, vamos por partes.

Essas ideias me forçam a tentar me conhecer melhor e mais rápido; escolher um objetivo pra tomar decisões que me levem até ele. Perco até a vontade de desenvolver aqui, porque sei que vai me levar pra mais confusão nos pensamentos. Em resumo, o conflito é: o desânimo que estou sentido agora faz parte do processo ou significa que devo abandonar o barco (outra vez)? Esse desânimo deve ser uma consequência de não ter um alvo, então seria uma decisão acertada abrir mão do que consegui até agora sem nem mesmo ter definido esse alvo??

Não é como se eu pudesse acelerar processos e conseguir as respostas; provavelmente só vou conseguí-las quando tomar decisões, arcar com as consequência, me movimentar… Mas há todo um background não muito favorável… Hunf.

pra começar bem o dia.

O dia começou mal, e provavelmente foi culpa minha. É engraçado como um mal entendido pode te afetar  ainda mais eu, que raramente reclamo de algo sem ser com meus amigos e além disso num grupo de yoga.
Em resumo, perguntei se deveria ter alguém no local de inscrição, porque estava fechado (mas dentro do horário informado). Depois comentei que um amigo foi e não tinha conseguido se inscrever, e quando voltou mais tarde já era a última vaga da lista de espera. Passou final de semana, e dando aquela olhada básica no Facebook após acordar hoje, me deparo com um textão da professora, falando que era um trabalho voluntário, que havia outros locais que ofereciam yoga de graça, etc etc. Certo, eu tinha soltado um “[…]complicado :/” no final da minha “reclamação”, e provavelmente isso que fudeu tudo. Minha breve experiência com a coordenação influenciou isso, uma vez que quando me inscrevi semestre passado também tive que ir em mais de um horário pra encontrar alguém lá, e mesmo quando fiz minha inscrição dessa vez, tive que esperar alguém chegar. Minha “indignação” é com a coordenação, não com quem guia as práticas.
Escrever isso tá sendo mais como um descarrego, porque acho que não deveria mais estar remoendo essa situação. Deve ser meu ego ferido, vendo que mal começaram as aulas e já causei uma impressão ruim; procurando motivos pra me embasar, me defender, e internamente criando raivinha da professora por ter agido dessa forma. Estou escrevendo isso antes de ir pra lá, e espero que as coisas não fiquem num clima chato, seja coisa da minha cabeça ou da parte dela. Parece ter um fantasminha rondando minha cabeça lembrando do que houve, e espero que ele suma. Não quero que esses sentimentos afetem meu aproveitamento da prática porque, definitivamente, percebe-se por esse e os últimos posts, estou precisando bastante.
As lições do dia foram: você não está livre de tretas nem dentro do yoga e watch your mouth, girl.

o problema de uma viagem para o futuro.

Provocada por um dorama em que o protagonista pode viajar para o futuro (Tomorrow with you, a quem interessar), percebi o quão pesado pode ser esse fardo. Achar que pode mudar um acontecimento, de certa forma implica em acreditar que você é onipotente e controla todas as variáveis que culminaram naquilo. Talvez o peso da ansiedade se deva a isso, porém numa escala menor, uma vez que você não presenciou os acontecimentos, apenas (?) ruminou todas as variáveis possíveis segundo o que se tem no agora. Bem, melhor não pensar tanto sobre o quê é mais pesado que o quê. Temos uma perspectiva humana para tudo que nos rodeia, segundo conhecimentos baseados em outras perspectivas humanas de épocas passadas; e num escopo menor ainda, temos uma perspectiva pessoal, o que limita mais ainda o que se “sabe”, mas também é o que nos torna únicos.

emma e o auto-engano.

Pode conter spoilers.

No fim desse feriadão, peguei a mini série Emma, adaptação do livro com mesmo nome, por Jane Austen, pra tentar finalizar. Notei então uma nuance que, creio eu, só consegui enxergar por conta da obra que estou lendo atualmente: Auto-engano, de Eduardo Gianetti. Em uma determinada cena, após um certo rapaz precisar partir, ela se percebe achando tudo sem graça, e logo chega a uma conclusão: deve estar apaixonada! Uma vez que ela julga não conhecer como é possuir tal sentimento, ao sinal de uma mudança no modo de ver seu dia-a-dia, sua lógica é de que só poderia ser isso. E assim, soma-se mais um engano ao conjunto dos que ela já cometeu.

Não diferente do que acontece atualmente, já naquela época, em meio às relações sociais características, temos o engano com os outros e auto-engano. A discrepância reside quando ela percebe o erro, e logo se recompõe. Quão difícil tem se tornado esse processo de refletir sobre o próprio sentimento? Austen dá vida a Emma, que apesar de viver de forma rica e confortável, não se deixou levar por esse sentimento de novidade trazido com alguém novo.

Particularmente, durante a leitura não me envolvi muito. Mas me senti curiosa pra saber qual o fim de todo aquele emaranhado de impressões que Emma tecia. A adaptação da BBC está se mostrando fiel à obra, e me fazendo observar outros aspectos que não havia notado a princípio. A série está disposta em 4 episódios, que encontrei disponíveis para ver online neste link. Fica a indicação.

o controle.

Quando pensei em escrever sobre isso tinha mais ideias, mas tava no ônibus e simplesmente esqueci. Todo o insight surgiu quando estava na parada esperando o bendito. Meu olhar desfocado, os carros passando. O vento batendo e balançando meu cabelo. Logo ali, bem na minha frente, uma loja de cerâmicas, paisagismo, etc. Um moço coloca seu gatinho dentro de um vaso, apóia suas pernas e folheia um jornal. Meus olhos marejam, a visão se turva diante daquela cena. Não vou mentir, senti inveja. Nem sei quão confusa pode ter sido ou ainda é a vida daquele rapaz. Mas naquele momento, acredito que ele estava em paz, e quis ter aquela paz também.

Quando nos apaixonamos
Estamos apenas nos apaixonando
Por nós mesmos
Estamos em espiral

Meu cabelo balança, mas na maioria das vezes não se solta de sua raiz; as rodas dos carros giram em torno do eixo, e eles se rendem à gravidade. Achando que posso mudar meu comportamento para o que bem entender, me engesso com o não conseguir. Percebi que criar consciência das coisas tem me feito querer mudá-las num estalar de dedos. Essa consciência deveria me inspirar a descobrir quem sou e adequar a minha visão a isso, e não o contrário. Me tornar parte do mundo entendendo o outro e a mim mesma. E é todo um processo até lá.

panorama da bad.

Depois de muitas bads e assuntos mal resolvidos (provavelmente por eu ~querer~ fazer coisas demais), confesso e registro aqui como um compromisso comigo mesma: preciso organizar as minhas coisas. Quando falo organizar, quero dizer mais do que dar um tique na tarefa “arrumar a cama” do Habitica pra ganhar xp e etc. Pra “começar” — porque na minha cabeça isso já foi um passo dado — fiz uma limpa no Trakt.tv e Skoob de coisas que quero ler/assistir, pra tirar um pouco desse peso na minha cabeça de achar que tenho que consumir tudo que acho interessante.

No fim do ano passado, me conscientizei sobre o fato de, por não costumar pedir coisas, por algum motivo ainda não desvendado, esperar que quando eu peça, seja atendida. E quando não sou, fico contrariada. Acredito que isso aconteça porque eu costumo sondar bastante antes de pôr a cara à tapa, e quando a tapa acontece anyway, me frustro.

E tem mais. Lendo esse artigo do Psiconlinews, falando sobre algo que tá relacionado a todas as tretas e eu, com todos esses pensamentos frenéticos, imaginem só, não me toquei. Depois desse fatality, percebo que não se perdoar e compreender só seria possível se houvesse perfeição, e isso é óbvio que tá faltando.

Me pergunto sobre como seguir. Ultimamente, quase 24/7. Não tô conseguindo parar. E me deixa triste ver os posts ganhando esse teor melancólico, planejava bem mais pra esse espaço. Quando conheci o Doce Biblioteca, de uma graduanda em Biblioteconomia como eu, senti que era um blog daquele jeito que eu pretendia ter, e olha o que tá virando.

Meu trabalho atual exige lidar com pessoas, algo que sou extremamente péssima. Eu o vejo como uma serviço de referência, só que comercial. Somando a isso o fato de eu ser péssima em fingir que estou bem quando não estou, tem-se o desastre. Sinto como se o aspecto de relações humanas fosse o que menos progride na minha vida. A ideia que reside na minha cabeça sobre como eu deveria ser, principalmente no trabalho, conflita com o que acabo realmente sendo. Me sinto uma péssima atendente e nenhum mantra repetido antes de bater o ponto muda a forma que lido com isso. O estresse provocado tanto pelo ambiente quanto por mim mesma me tiram do sério, e apesar de pagar bem, não vejo hora de sair. Ao mesmo tempo, é uma das coisas que mais me preocupa, porque sinto que não conseguirei algo com perspectivas “seguras” depois que sair de lá. Meu contrato está em seus últimos meses. E em mim se agrava a sensação de que a cada dia caminho mais um passo em direção a um destino fatal, que não tenho ideia de qual é mas que tenho certeza de que é inevitável…

A pior parte é se ver afundando nesse mar de certezas incertas, e afetando quem se preocupa com você. Me sinto negligente, manipuladora, não-merecedora, e mais um monte de adjetivos desagradáveis.

pensamento sobre palestra de empreendedorismo.

Na Semana Acadêmica do meu curso, foi ministrada uma palestra sobre Empreendedorismo na área (Biblioteconomia). Não achei essas coisas todas, só me atentou para pesquisar as iniciativas dos profissionais pra ter alguma noção do que está sendo feito, e tentar ver também como funciona essa tal de empresa júnior que muitos cursos possuem. O que me marcou, na verdade, foi o tom motivacional que boa parte da palestra teve, inclusive com frases do tipo “não trabalhe para realizar o sonho de alguém” ou algo assim, e em um momento posterior foi usado como resultado positivo a geração de empregos que a prática empreendedora provoca. Talvez minha reação e interpretação dessas falas tenham sido erradas, mas penso que não há problema em trabalhar para realizar o sonho de alguém, desde que esse sonho seja também o seu. Acredito que o enfoque deveria ser o aprimoramento no que você se sente mais motivado apesar dos percalços, e buscar um trabalho que corresponda a isso, independente de ser chefe ou empregado, público ou privado.